Genocídio intelectual

Como conseguir o carro rosa da Mary Kay? Requisitos

O processo para ganhar um carro rosa da May Kay começa quando uma pessoa qualificada como consultora de beleza (CB), capta a outras mulheres que convence ao oferecer-lhes um curso de maquiagem gratuito. Ao mesmo tempo, se propõe a ser uma vendedora ou CB, ao explicar que se trata de “uma oportunidade de negócio imbatível”, de “reconhecimento” e que “se faz sentir importante”. Até lá, já se espera que além do cadastro em si a consultora tenha batido muitas metas de vendas ou participado de programas de pontos, como o Mary Kay em Sintonia. 

Quando a promotora persuade a 25 novas CB, torna-se mãe e cria uma unidade. As consultoras adquiridas se tornam suas filhas em sua equipe, as quais passam um período de teste em forma de compra de produtos Mary Kay para vendê-los posteriormente para novos clientes e candidatos a consultores de beleza. As noviças serão, por sua vez, as sobrinhas e as irmãs da primeira.

A partir desse momento, a companhia monitora todo o progresso ou o fracasso da ‘família’. Para a empresária que criou a unidade, com 25 CB, é exigido um crescimento do número de membros de sua tribo e da produção (vendas). Por exemplo, são encorajados com mensagens messiânicos -‘Traça um bom caminho’- que atinjam a 50 pessoas, porque Mary Kay Ash, a fundadora da empresa, na década de setenta, nos dizia: senhor, lembra-te de que 30 é apenas o começo, o verdadeiro sucesso começa com os 50. Aprenda as regras e começa a trabalhar, segundo reza o decálogo ‘Obter os FABULOSOS 50’. Para isso, é dado um período de seis meses em que tem que alcançar um faturamento de 25.000 euros e conseguir manter um grupo de 50 pessoas.

Mês a mês, Mary Kay envia as chamadas empresárias sua folha de cálculo em que lhes indica se vão cumprindo ou não os objetivos. Se o conseguem, passam para o próximo degrau, alcançam outro estatuto, com o consequente mudança de revestimento de roupa. Porque em função de sua qualificação, os trabalhadores podem vestir saia cinza com camisa vermelha (aspirante), com jaqueta preta (empresária) e t-shirt preta ou branca, de acordo com seu lugar na pirâmide.

As chefas nacionais levam um terno lilás, que as distingue como um sinal de sucesso na pirâmide que em Portugal dirige Eva Aznar como diretora-geral. É o que chamam de “escada do sucesso”, o plano de crescimento da Mary Kay (veja aqui em PDF). 

 



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